sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Adore

Rosto, que se transforma em estampa
Vira dinheiro no bolso
Uma idéia se perde e acontece
Exatamente o oposto...

Gosto... não se discute mas depende
Do que vira moda de repente
E quem tá fora da roda é demente,
Só importa o presente...

Gosto, hoje em dia é uma questão de gasto,
Então comemos do mesmo pasto,
E é tão gratuita ignorância
E futilidade...

Rosto... com prazo de validade,
Descartável gosto imposto
Ossos do ofício da vaidade
idade... idade... idade...

Encontre alguém para idolatrar,
E se dopar, e se alienar...
Encontre alguém para adorar...

Sala/Cela

Estou aqui, nesta sala/cela, superlotada
O silêncio é essencial
Pra não ser... punido mais ainda
Aguenta aí irmão... Espere pelo sinal
...Espere pelo sinal...
...Espere pelo sinal...

Na mão óleo, graxa, caco de vidro, terra
Na mente paz, na alma guerra
Molho as mãos, lavo as mãos, que mal sabem escrever
Mas que qualquer um pode ler
...Qualquer um, pode ver...
...E qualquer um posso ser...

Um muro, um pulo, correria e vida intensa
Um labirinto um tanto surreal
Estou trancado em minha própria consciência
Num mundo em que ser louco é ser normal
...Ser louco é tão normal...
...Ser louco é o sinal...

A prisão é uma escola...
E a escola é uma prisão...
O salário é uma esmola...
Jogar bola é a solução...
...

(letra e melodia por E.L.A.R)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poemas em pó (antiga leva de leviandade)

"Contagem"

No primeiro
segundo
de uma Terça-feira,
no quarto meu,
quinto dos infernos alheios,
um sexto sentido me diz
que aquele sétimo cigarro
já se foi, tava ali
sozinho, se queimando, sem nove-horas
se queixando de dez míseros minutos
da mais pura e violenta
falta de criatividade.
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Paquinha Judas (ou Suicídio Subentendido)

Na ala dos comprimidos
Alados amigos secretos
Aliviam a incompreensão.
Na calada noite,
A sala - açougue -,
De estar - em pedaços -, de obsessão
De quebra-cabeça , não existe mais.
Prazer excrusciante de uma desejada solidão,
Com a dor sutil da subsequente paz.
Comprimido feito contra a paca
Que lentamente caminha, Judas
Aqui no chão entra, e no inferno sai...
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"Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris."

Memento: (latim) 1. Lembrar, lembrança; 2. Pequeno caderno de memórias pessoais, diário de anotações.

A memória é uma ilha de edição. A imaginação é a memória, enlouquecida.

About Me

Minha foto
Garuva, Santa Catarina, Brazil
"Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quieta na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia..."(Galeano) Sou mais um "bicho humano, fodido mas sagrado, e à louca aventura de viver no mundo".