segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Fogos de Artifício

Casas que sobem os morros,
Casas que fogem da inundação
E isto tudo é tão natural...

Pessoas que não têm casas,
Casas sem pessoas,
Casas e pessoas abandonadas
Isto é tão natural...

Tem gente que planta, colhe
E que passa fome
Tem gente que tem, mas não come
E tudo tão natural...

Tem gente que rouba e tem cara de pau
De pedir o seu voto no horário eleitoral
E isso é muito, muito, muito natural...

Diante disso eu me sinto tão artificial!

Tem bicho que come melhor do que a gente
Tem bixo inteligente que é indigente
Completamente natural

E cobras que cobram o cobre de quem é pobre
Pequenos venenos que ninguém descobre
Óbitos por causa natural...

Diante disso eu me sinto tão artificial!


Fogos de artifício pra comemorar o vício,
Fogos de artifício pra comemorar o sacrifício,
Fogos de artifício pra comemorar o vício,
Fogos de artifício pra comemorar o sacrifício...

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"Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris."

Memento: (latim) 1. Lembrar, lembrança; 2. Pequeno caderno de memórias pessoais, diário de anotações.

A memória é uma ilha de edição. A imaginação é a memória, enlouquecida.

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Garuva, Santa Catarina, Brazil
"Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quieta na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia..."(Galeano) Sou mais um "bicho humano, fodido mas sagrado, e à louca aventura de viver no mundo".